28.9.08

Houve um tempo em que...


Quase não havia muros entre as pessoas.

PEDRO ANTÔNIO DE OLIVEIRA

Adultos: será que virei um deles?


Minha casa era grande. A rua também. E a esquina ficava a quilômetros de distância. E o Natal demorava a chegar. A mão do meu pai era a maior que existia. Minha mãe sempre sabia das verdades. Eu não duvidava de nada. Pensava que ser adulto era ser alguém de outro planeta. Pra ser sincero, achava uma idéia maluca essa história de crescer.

PEDRO ANTÔNIO DE OLIVEIRA

Beleza


Não foi fácil despistar
Sem dar mancada na frente de todo mundo
Era a primeira vez que eu via um anjo de perto.

PEDRO ANTÔNIO DE OLIVEIRA

26.9.08

Sorte minha


Meus amigos? O destino espalhou todos pelo mundo. Vez por outra, o acaso, distraído como ele só, traz algum de volta pra mim.

PEDRO ANTÔNIO DE OLIVEIRA

Uma lorota aqui, outra ali...



Um dia, depois da aula, você encontra um estojo com lápis de cor, esquecido em cima da mesa. Nele havia um bilhete misterioso capaz de mudar pra sempre a sua vida: 
“Só abra se quiser. Se não quiser, fique parado, olhe pro lado e dê no pé!”. 

Por curiosidade, você abriu o estojo! E agora? 
Agora não tem mais volta! Vá em frente! 
Pra saber o que aconteceu, só lendo...

UMA HISTÓRIA, UMA LOROTA... E FIQUEI DE BOCA TORTA! 
Editora Saraiva/Formato, com ilustrações de Adriana Camargo, da Escola Guignard

PEDRO ANTÔNIO DE OLIVEIRA

Encare


Saia para ver o mundo ou vai perder o melhor da festa.

PEDRO ANTÔNIO DE OLIVEIRA

Bons tempos


...
Um menino toma banho de chuva, voa em um balão, cria uma tartaruga, passeia na maria-fumaça, anda na bicicleta com motor que o primo inventou, brinca com a garotada da vizinhança e faz muitas outras coisas divertidas. Se você nunca fez nada disso, não tem problema: vai se deliciar enquanto lê estas crônicas do cotidiano. Nelas, o menino conta fatos de sua infância passada na rua das Petúnias, número 22, em um tempo em que era possível brincar na rua e as mães só davam uma espiadinha pela janela, de vez em quando, para ver se estava tudo em paz. E sempre estava.

METADE É VERDADE, O RESTO É INVENÇÃO é o meu primeiro livro. Foi lançado no final de 2007 pela Editora Saraiva/Formato, com ilustrações de Angelo Abu.

PEDRO ANTÔNIO DE OLIVEIRA

Clique aqui para encontrar o livro.

25.9.08

Inventadeira de moda


A saia dela não era rodada nem era curtíssima. A saia dela parecia uma capa de botijão, um copo-de-leite (a flor) virado pra baixo, um abajur desses antigos (e cafonas) ou uma coisa estranha para a qual ainda não inventaram nome. Mas a saia dela era bonita, guardava palavras que as pessoas colocavam na cabeça pensando, pensando... que aquilo parecia tudo, menos saia. Só que o que ela queria é que sua saia não saísse da idéia de ninguém mesmo, que fosse a saia mais vista e mais lembrada entre todas as saias rebolativas daquele dia luminoso e imenso.

PEDRO ANTÔNIO DE OLIVEIRA

Será quem foi?


As palavras foram criadas para falar encantos, como: “oi, que saudade!”; “tudo bem? Quer uma ajuda?”; “nossa, que bonita a sua roupa!”, “não fique triste, isso logo vai passar!”; “sabe que eu te adoro?!”; “eu preciso de você!”... E para escrever o amor que as pessoas sentem no coração. Mas, aí, foi um chato lá, no país das palavras, e bagunçou tudo! Fez intrigas, espalhou fofocas, separou amigos. Ah, se eu pego!...

PEDRO ANTÔNIO DE OLIVEIRA

22.9.08

Sol de setembro


Na minha rua, quando é setembro, é quase verão, eu penso! E então eu imagino que o frio, a aridez dos tempos e a solidão dos esquecidos só voltarão a reinar no próximo ano, assim que as flores se cansarem de se exibir aos ventos. Enquanto for setembro, eu viverei em paz, sonhando com o perfume que irá invadir meu quarto toda vez que abrir minha janela, toda vez que meu coração escancarar suas portas para deixar o sol entrar.

PEDRO ANTÔNIO DE OLIVEIRA

O amor diz cores


Eu precisava que as flores me dissessem algo. Se é que as flores falam, se é que as flores pensam; porque eu acho que as flores só amam!

PEDRO ANTÔNIO DE OLIVEIRA

Ainda é cedo


Por favor, pétalas! Não caiam pelo chão, não formem tapete ainda! Se meu amor se atrasar, não quero que veja sonho algum murchando!

PEDRO ANTÔNIO DE OLIVEIRA

Primavera


Estes dias parecem bem melhores. Foi em vão, pobre cinza! Não adianta mais esconder as cores. Não demora e as flores virão banhando as pedras com ternura e apagando o que restou de mágoa na estação. Estou feliz porque há prenúncio de linda vida. Estou feliz porque as paixões vão desabrochar a qualquer momento, pressinto. Estou feliz porque eu e o amor nascemos num dia quente de primavera.

PEDRO ANTÔNIO DE OLIVEIRA

21.9.08

A calma que me dá


Gosto muito do barulho do silêncio. É quando eu posso me ouvir. Na esperança que tenho em mim, desejo, nesse ínterim, me encontrar.

PEDRO ANTÔNIO DE OLIVEIRA

20.9.08

Fábulas virtuais


Ai, gente! Ela é tão rica! Ela é tão chique! Ela tem amigos tão maravilhosos! Correção: “miguxos maravilhosos”. Ela tem uma vida tão linda! Todo mundo que ela ama se conhece. E ela só conhece gente que se ama. E ela ama todo mundo! A família, então, ah... é uma família perfeita! O cachorrinho dela é o mais fofo que existe. Não deve nem ter pulga! Claro! Não é vira-lata! É de uma raça lá... como é que é? Chiii... sei lá! É uma raça muito cara e muito sofisticada. Ela freqüenta diversos lugares. Ela viaja muito. E ela está sempre sorrindo nas fotos, mas na vida real também é assim, só felicidade! Acredite! E tem mais: ela não gosta de aparecer nem de fazer pose no espelho apontando sua câmera de 20 megapixels e muito menos de usar óculos de sol dentro de casa (é que ela acabou de chegar do campo! É isso! Não deu tempo de tirar!). E ela nem é vaidosa nem se acha a última Coke do deserto do Atacama! Ela garante. É tudo por acaso. Ufa... a vida dela é muito agitada mesmo, muito eletrizante. E ela entra pouco na internet e quase não dá tempo de conversar com seus 987 amigos íntimos (que estão quase lotando seu profile 1). Porque, gente, Orkut não mente!

PEDRO ANTÔNIO DE OLIVEIRA

19.9.08

Timidez


Aqui...
preciso contar um segredo.
Então, por favor, vira pra lá.

PEDRO ANTÔNIO DE OLIVEIRA

Tamanho família


A bolsa era enorme. Parecia ter sido feita para levar o tempo. Isso quando o tempo era longo e passava bem lentinho. Talvez a bolsa dela servisse mesmo para guardar recordações. Afinal, já tinha vivido cada coisa, sofrido por tanta gente!... Não! A bolsa era grande daquele jeito para carregar a saudade apertada! Havia largado para trás pessoas importantes ao longo de certos tristes caminhos. Mas posso ter me enganado. A bolsa dela devia ser grande para levar todo o amor que sentia, pois agora estava de namorado novo. E namorado novo exige cuidados novos e especiais! Dentro da bolsa gigantesca, tinha batons, perfumes, escovas, cremes, esmalte, esponjinha com pó compacto, delineador e um espelho no qual refletia sua felicidade. Numa bolsa grande, além disso tudo, bem que podia ainda caber alguma poesia, só para fazer o amor durar por uma vida inteira. Porém, com tanta tralha que carregava, mesmo uma bolsa tão grande como aquela... hum... sei lá se sobrou espaço.

PEDRO ANTÔNIO DE OLIVEIRA

16.9.08

Sonho


Ele me pediu: "Deixa eu ir?"
E eu devolvi com um aperto apertado no coração: "Você promete que volta?"
Ele fez um "não sei" meio desconcertado. "Vai que eu gosto lá de cima", se desculpou. Então embraveci de uma vez: "Você é ou não é meu amigo?"
"Mas é meu sonho", argumentou.
Aí, achei melhor não insistir. Com sonho não se brinca. Soltei-o e, pouco a pouco, ele ganhou o céu.


PEDRO ANTÔNIO DE OLIVEIRA

Norte


(...) E, se precisar de mim, também poderei ser uma centelha de sonho nas travessias mais difíceis.

PEDRO ANTÔNIO DE OLIVEIRA

Pedaços alados



A alegria incontida por te ver eu disfarço. Desvio despretensiosamente os olhos e perguntinhas bobas, inocentes, me salvam na hora H: "Tá calor, não tá?!" "Odeio frio e você?" "Será que vai chover?". E, depois disso tudo, bem mais à vontade, remendo num cantinho isolado o meu coração quebrado. "Tem cola aí?"

PEDRO ANTÔNIO DE OLIVEIRA