15.4.23

Meta


A paz do coração é o paraíso dos homens.

Platão

5.3.23

Compaixão pelos seres vivos

A Declaração de Cambridge afirma que todos os animais não humanos, incluindo polvos, são sencientes e sentem emoções como medo e felicidade. Ela foi atestada por um grupo internacional de destaque de neurocientistas cognitivos e outros especialistas, e endossada pelo renomado físico teórico e cosmólogo britânico Stephen Hawking.


Olá, pessoal!

Eu confesso que sinto pena de pisar numa barata. Parece loucura? Pode até ser. Mas, convenhamos, ela não tem culpa de ser quem é, concorda? Será que ela sabe por que está perdendo a vida?

E as formigas? Por um bom tempo, durante a infância e a adolescência, eu adorava alimentar esse bichos em um formigueiro discreto que descobri no quintal. Sempre que podia, levava para perto dos buraquinhos de suas humildes residências uns farelos de biscoito, alguns grãozinhos de arroz ou o que estivesse comendo naquele momento. Adorava ver esses pequenos seres carregando, mais que depressa, a refeição para dentro de suas cavernas subterrâneas. 

Porém, de uns tempos pra cá, principalmente em dias quentes, esses minúsculos seres se tornaram bem incômodos, invadindo a cozinha e adentrando os armários descontraidamente em fileiras. Então foi impossível não dar um jeito neles, detendo-os com inseticidas e outras formas cruéis de extermínio. 

Contudo, a filosofia zen budista afirma que devemos ter respeito e não matar, de forma alguma, os seres vivos. Imagine os bois, as galinhas, os porcos, os animais maiores que matamos para nos alimentar da carne deles? O que devemos fazer? Mudar nossos hábitos em favor da existência e do não sofrimento deles? Olha... esse assunto rende uma boa reflexão. E aí, o que você pensa a respeito disso?

No vídeo acima, eu conto se os insetos sentem dor. Corra lá, clique e confira.

Aproveite depois para ler mais sobre esse tema, aqui, na matéria
Budismo e compaixão aos animais: reflexão sobre a Declaração de Cambridge.

Pedro Antônio de Oliveira

"Os pesquisadores descobriram mais do que isso. Sabemos, por exemplo, que ratos e galinhas sentem empatia. Eles conseguem se colocar no lugar dos bichos ao redor e sentem pena ao vê-los sofrer. Elefantes vivenciam alegria, luto e depressão. Lamentam a perda dos amigos, assim como os cães, chimpanzés e raposas vermelhas. Os polvos foram protegidos de pesquisas invasivas no Reino Unido bem antes dos chimpanzés, pois os cientistas já haviam reconhecido que eles são conscientes e sentem dor. Hoje muita gente ainda não quer admitir esses fatos científicos, pois terão de mudar a forma como tratam os animais. Na verdade, temos de tratar todos os animais da mesma forma, com compaixão e empatia – sejam eles os “animais humanos” como nós, sejam todas as outras espécies."

26.2.23

Olhos parados

Olhar, reparar tudo em volta, sem a menor intenção de poesia.
Girar os braços, respirar o ar fresco, lembrar dos parentes.
Lembrar da casa da gente, das irmãs, dos irmãos e dos pais da gente.
Lembrar que estão longe e ter saudade deles...
Lembrar da cidade onde se nasceu, com inocência, e rir sozinho.
Rir de coisas passadas. Ter saudade da pureza.
Lembrar de músicas, de bailes, de namoradas que a gente já teve.
Lembrar de lugares que a gente já andou e de coisas que a gente já viu.
Lembrar de viagens que a gente já fez e de amigos que ficaram longe.
Lembrar dos amigos que estão próximos e das conversas com eles.
Saber que a gente tem amigos de fato!
Tirar uma folha de árvore, ir mastigando, sentir os ventos pelo rosto...
Sentir o sol. Gostar de ver as coisas todas.
Gostar de estar ali caminhando. Gostar de estar assim esquecido.
Gostar desse momento. Gostar dessa emoção tão cheia de riquezas íntimas.

Manoel de Barros

A metade da maçã


Em nome desse amor eu vou
Recriar o mundo
Cada segundo
Em nome desse amor eu vou
Te entregar um sol toda manhã

Roupa Nova

4.2.23

Não tenha vergonha de ser feliz

 


É tempo de Carnaval. Todo tempo é tempo de ser feliz; mas, nesta época do ano, mais ainda! É quando as pessoas se jogam na avenida revelando a criança interior por vezes esquecida, revivendo fantasias, se pintando com as cores da alegria e se encantando de novo com a vida. É como se os problemas, as responsabilidades e tudo mais que nos impede de sorrir desaparecessem milagrosamente por alguns dias. Estaria aí o grande mistério dessa festa que arrasta multidões e une toda gente em torno do sorriso, da música e do brilho?

Então que tal voltar um pouquinho no tempo, especificamente no ano de 2002, e revisitar uma folia organizada por crianças já vividas? Muitas delas talvez não estejam mais aqui fisicamente. Afinal, já se passaram mais de 20 anos. O que importa é que essas pessoas não se preocuparam com a idade que tinham, com as dores que sentiam ou com as cicatrizes de nossa desafiadora existência humana. Elas simplesmente viveram a plenitude da efêmera felicidade pueril.

No vídeo acima, você vai se emocionar com o entusiasmo de centenas de senhoras da terceira juventude que prepararam suas próprias fantasias com materiais recicláveis para depois brilharem em um superbaile de Carnaval, promovido pelo Serviço Social do Comércio de Minas Gerais (Sesc MG), em Belo Horizonte. Das 18 unidades estaduais do Sesc em MG na época, sete participaram, entre elas a Venda Nova, por meio do bloco "Verde Vivo, Vida Nova", dentro do projeto "Abre alas! Terceira idade pede passagem".

Com lindas fantasias confeccionadas com plástico de garrafas PET, tampinhas e lacres de refrigerante, além de outros resíduos recicláveis, as foliãs mostraram que uma festa completa pode reunir amizade, beleza, paz e sustentabilidade.

Clique na imagem e se inspire! Ousadia! Felicidade não se adia!

Pedro Antônio de Oliveira

28.1.23

Vagão azul

O trem vai rasgando vales,
costurando pontes,
serpente férrea luzindo
seu grito abre-caminho,
maciço, bonito e choroso.

A fumaça se esvai grafitando o céu, 
marcando o cartão-postal da vida,
feito tufos de juventude
pulverizada no tempo.

Pedro Antônio de Oliveira

13.1.23

Negro forro


Minha carta de alforria
não me deu fazendas,
nem dinheiro no banco,
nem bigodes retorcidos.

Minha carta de alforria
costurou meus passos
aos corredores da noite
de minha pele.

Adão Ventura  

3.10.22

Coração civil


Quero a utopia, quero tudo e mais
Quero a felicidade dos olhos de um pai
Quero a alegria, muita gente feliz
Quero que a justiça reine em meu país
Quero a liberdade, quero o vinho e o pão
Quero ser amizade, quero amor, prazer
Quero nossa cidade sempre ensolarada
Os meninos e o povo no poder, eu quero ver
São José da Costa Rica, coração civil
Me inspire no meu sonho de amor Brasil
Se o poeta é o que sonha o que vai ser real
Bom sonhar coisas boas que o homem faz
E esperar pelos frutos no quintal
Sem polícia, nem a milícia, nem feitiço, cadê poder?
Viva a preguiça, viva a malícia que só a gente é que sabe ter
Assim dizendo a minha utopia, eu vou levando a vida
Eu vou viver bem melhor
Doido pra ver o meu sonho teimoso um dia se realizar.

Fernando Brant / Milton Nascimento

20.9.22

Um leitor muito criativo!

Pessoal, olha que bacana! O Rafael Amado leu o livro Oreosvaldo, o Pássaro das Sombras (Editora Lê) e gravou um vídeo sensacional interpretando com bonecos um trecho das aventuras do blogueiro poeta misterioso.

Obrigado, Rafael, pelo carinho! Fiquei muito surpreso e feliz! Quanto talento! Parabéns! E os fantoches dos personagens estão incríveis. O ilustrador Maurizio Manzo também viu e amou, sabia?

Receba nosso abraço de gratidão! Muita vida, saúde e alegria pra você e toda a sua família, querido Rafa!

Pedro Antônio de Oliveira

10.9.22

Acenda e deixe brilhar


Quem tem luz...
que ilumine!
Quem tem amor...
que ame!

O mundo muda agora
com você.

Pedro Antônio de Oliveira

7.9.22

Aforismos do mano Barros

 

Tudo que não invento é falso.
Tem mais presença em mim o que me falta.
Não saio de dentro de mim nem pra pescar.
Do lugar onde estou, já fui embora.

Manoel de Barros

Fui jovem, com a sede de todos...


Vim, como todo mundo,
do quarto escuro da infância,
mundo de coisas e ânsias indecifráveis,
de só desejo e repulsa.
Cresci com a pressa de sempre.

(...)

Vi tudo que vi, entendi como pude.
Depois, como de direito,
endureci. Agora minha boca
não arde tanto de sede.
As minhas mãos é que coçam -
vontade de destilar
depressa, antes que esfrie,
esse caldo morno da vida.

Paulo Henriques Britto

A chuva, uma história

 

A chuva conta uma história
nas telhas, no chão de ardósia.

Fala do açude onde sonha
esse reflexo risonho.
(...)

A chuva conta este conto
que é como um sonho em que sonha
esse menino, que se ergue
de sobre a luz do reflexo.
(...)

e o envolve, e o guia, cálida
entre as ruínas da tarde.

Ruy Espinheira Filho

3.7.22

Beleza não dá preguiça!

 


A fila é uma preguiça, mas o charme da árvore, não!

Adorei conhecer a árvore da preguiça. Confira.

Pedro Antônio de Oliveira

30.6.22

Primeiros passos em direção ao paraíso

Já faz tempo que declarei meu amor pelo Nordeste. Terra linda, repleta de paisagens luminosas e vento. Eu me sinto em paz, livre e revigorado ao sentir entrando pelos poros o perfume do mar e o calor das pessoas que conheço por lá.

A cada nova viagem, lembranças e saudades ficam gravadas na minha pele como uma tatuagem no tempo da vida, na alma imortal e amadurecida, em virtude das lições que a gente aprende. 

Após esses anos de pandemia, tomei coragem, arrumei as malas e parti em direção a Jericoacoara, no Ceará.

Gravei muita coisa que vou postar aos pouquinhos no meu humilde e despretensioso canal sem identidade certa. Meus momentos, apenas isso. 

Esse episódio é o primeiro. Se puder, acompanhe. Ficarei feliz com sua presença e seu carinho. Vamos lá?

Pedro Antônio de Oliveira

O Pássaro das Sombras no Colégio Santa Marcelina SP

 
 

No dia 27 de junho, conversei com os estudantes do 5º ano do Colégio Santa Marcelina de São Paulo, capital! Que presente maravilhoso! 

As turmas fizeram perguntas sensacionais sobre a obra Oreosvaldo, o Pássaro das Sombras, da Editora Lê! Eu adorei! O livro do Pássaro das Sombras já vem sendo adotado na rede Santa Marcelina há vários anos. Que alegria! Meu agradecimento a essa instituição de ensino tão querida, bem-conceituada e repleta de alunos e profissionais dedicados e carinhosos!

Um abraço especial e cheio de gratidão para as professoras Camilla, Fabiana, Alessandra, Graça e para as assistentes das educadoras. Obrigado à coordenação pedagógica e à direção do colégio!

Eu me diverti muito com o modo descontraído e entusiasmado dos alunos. 


Pedro Antônio de Oliveira

8.6.22

Sonhos e planos

 

Ao mesmo tempo
Que tudo se encaixa em seu lugar
Vou continuar
Com os meus planos
De ter algo pra poder viver
Sem ter que sofrer

Mas insistem em jogar nosso orgulho em algum lugar
Que não tem mais como levar adiante o sonho de viver

Ao mesmo tempo
Que tudo se encaixa em seu lugar
Vou continuar
Com os meus planos
De ter algo pra poder viver
Sem ter que sofrer

Mas insistem em jogar nosso orgulho em algum lugar
Que não tem mais como levar adiante o sonho de viver

Quero viver em paz
Sonho de viver em paz

Em paz

Sonho de viver em paz

Mas não vou desanimar
Isso tudo vai ter que mudar
Onde vai parar
A verdade tem que um dia aparecer

Quero viver em paz
Sonho de viver em paz

Em paz

Sonho de viver em paz

CPM 22

Alados fragmentos


As coisas mudam no devagar depressa dos tempos

E quando nada acontece há um milagre que não estamos vendo
Eu queria sair de tudo o que eu era
Pois viver… o senhor já sabe: viver é etecetera…

Cada criatura é um rascunho a ser retocado sem cessar
Tudo o que muda a vida vem sem preparos de avisar
E a felicidade se acha é em horinhas de descuido
Pois o rio não quer chegar, só quer ser mais profundo

Vivendo, se aprende; mas o que se aprende, mais
É que de sofrer e de amar, a gente não se desfaz
E que passamos a fazer outras maiores perguntas
Porque a natureza da gente não cabe em certeza nenhuma

Guimarães Rosa

Este pequeno texto foi feito tão e somente com citações de João Guimarães Rosa, sobre os quais cometi a heresia criativa de ordená-las, mexê-las e cortá-las para que se tornassem uma peça única, mas sempre mantendo os elementos mágicos do mestre de forma perceptível. Adorei a brincadeira. 

(Fabiano Costa, do portal Medium.)

Despistar


Espera que estou me aventurando 
na busca das descobertas.

Lygia Fagundes Telles

6.2.22

Saudades luminosas

 

Em algum lugar,
impresso nos meus olhos,
vive e clareia como um sol
aquele doce e inesperado 
arrebatamento de verão.

Pedro Antônio de Oliveira