30.4.19

A arte de ser feliz


Houve um tempo em que minha janela se abria
sobre uma cidade que parecia ser feita de giz.
Perto da janela havia um pequeno jardim quase seco.
Era uma época de estiagem, de terra esfarelada,
e o jardim parecia morto.
Mas todas as manhãs vinha um pobre com um balde,
e, em silêncio, ia atirando com a mão umas gotas de água sobre as plantas.
Não era uma rega: era uma espécie de aspersão ritual, para que o jardim não morresse.
E eu olhava para as plantas, para o homem, para as gotas de água que caíam de seus dedos magros e meu coração ficava completamente feliz.
Às vezes abro a janela e encontro o jasmineiro em flor.
Outras vezes encontro nuvens espessas.
Avisto crianças que vão para a escola.
Pardais que pulam pelo muro.
Gatos que abrem e fecham os olhos, sonhando com pardais.
Borboletas brancas, duas a duas, como refletidas no espelho do ar.
Marimbondos que sempre me parecem personagens de Lope de Vega.
Às vezes, um galo canta.
Às vezes, um avião passa.
Tudo está certo, no seu lugar, cumprindo o seu destino.
E eu me sinto completamente feliz.
Mas, quando falo dessas pequenas felicidades certas,
que estão diante de cada janela, uns dizem que essas coisas não existem,
outros que só existem diante das minhas janelas, e outros,
finalmente, que é preciso aprender a olhar, para poder vê-las assim.

Cecília Meireles

13.4.19

Elegância é algo que a gente carrega, não veste!



Ser elegante vai além de ter bom gosto com roupas e saber se vestir. Elegância é algo que a gente carrega e não veste.

Regras de etiqueta da vida e não do armário para uma vida onde elegância é sinônimo de educação e bom comportamento.

Sabe o que é mesmo elegante? Ter bom senso e respeito.

Não é preciso estar em cima de um salto alto ou dentro de um terno caríssimo para ser elegante. As atitudes enfeiam pessoas que não têm bom comportamento.

A elegância está na simplicidade de um "bom-dia" sincero para o porteiro que passou a noite toda acordado, no falar baixo quando o outro está perto, no saber ouvir quando o outro fala e no saber sorrir quando isso é tudo o que você pode oferecer. No saber agir sem agredir.

Uma pessoa elegante tem encantamento na voz, fala com propriedade e tem jeito com as palavras. Sabe chamar a atenção sem ser rude, sabe observar sem se intrometer, sabe respeitar o espaço alheio.

A elegância está no tom da voz e no silêncio que também comunica. Na forma de se posicionar quando precisa, no jeito de ver o mundo.

Uma pessoa elegante não vive de fofocas, não inventa mentiras e não se mete em baixaria. Quem é elegante tem positividade, atrai pessoas do bem, vibra com a vida, com os sucessos, torce pelo outro, não tem inveja, carrega alegrias e otimismo, e sente com verdade. Não sabe viver de oportunismos, sabe se colocar nas oportunidades e não puxa saco nem tapete.

Elegância está no “com licença” e “muito obrigado”. No reconhecimento do esforço, na empatia e na colaboração. Está na mão que ajuda, está também na gratidão.

E quanto mais conheço pessoas, mais percebo que a elegância está vestida de simplicidade e não de rótulos e invólucros sociais. Encontrei mais elegância calçada de chinelos que vestida de etiquetas. E isso não tem a ver com situação financeira, mas com referência de vida, criação e sabedoria.

Encontrei a elegância no ser e não no ter, e percebi que é mais elegante aqueles que se vestem de amor.

Anieli Talon

Fonte: Revista Pazes

Elegância é a arte de não se fazer notar, aliada ao cuidado sutil de se deixar distinguir.
(Paul Valéry)


30.3.19

E levar seu coração em meus braços


Tentar apanhar seu coração
é como tentar apanhar uma estrela.

(...)

Waiting for a star to fall
Boy meets girl

23.2.19

Sobre o muito que há


Quando nos agarramos muito forte às nossas crenças, 
corremos o risco de ficar cegos para a realidade 
e enxergar apenas o que se encaixa nelas.

Haemin Sunim

18.2.19

Cada dia que sou


Quando estou feliz,
desenho um sorrisão com giz.

Se estou calado,
me deixe na lua dependurado.

Coração por um triz...
Epa! "Menino apaixonado"
escrito bem assim, 
na ponta de uma estrela.

Pedro Antônio de Oliveira

17.2.19

As jabuticabas



Estavam tão maduras que foi impossível resistir. Entrei no quintal vizinho, pulando a cerca. Quase deixei presa parte da minha cabeleira no arame farpado. Diziam que a dona da casa era meio surda, mas não sei não... Logo que percebeu uma movimentação estranha, a senhora apareceu ventando, armada com uma grande vara de bambu, certa de que havia algum aventureiro rondando sua preciosa jabuticabeira. E não demorou para que eu fosse pego com a boca na botija, dependurado em um dos galhos da árvore.

Quanto mais tentava me cutucar com aquele objeto pontiagudo, mais eu subia pela copa da árvore. A ousadia já estava se tornando bastante arriscada. Meu braço ficou um pouco esfolado na perigosa escalada rumo ao tesouro proibido. Consegui encher uma sacola imensa com jabuticabas. E antes que a senhora pudesse botar as mãos em cima de mim, pulei no chão como um felino, e corri com a habilidade de quem já está habituado a situações delicadas. Escapei pelo quintal do outro lado.

Retirei algumas da sacola e embrulhei tudo em papel de pão. Em seguida, fui para a escola. Já tinha merenda garantida para o dia. Apesar de tudo, eu me senti com sorte.

No meio da aula, me bateu uma vontade incontrolável de experimentar só umas, uminhas! Para que esperar o recreio? Eu me sentava no fundo da sala, um ótimo esconderijo para um lanche fora de hora ou qualquer outra travessura de nível médio.

Mas que pena. O papel se rasgou de repente, fazendo rolar pela sala as preciosas e suculentas jabuticabas. Foram chegando, uma a uma, devagarinho, até o quadro, onde a professora ensinava Matemática. Rolaram espertas e cobertas de poeira do assoalho. Uma cena curiosa e engraçada, se não fosse triste. A aula parou e todos assistiram, surpresos, àquele festival de bolas de gude negras e embaçadas de sujeira do chão da escola.

Eu já devia saber que não existe mesmo crime perfeito.

Pedro Antônio de Oliveira

14.2.19

Para acreditar


Não desanime, pequena estrela.
Não se apague na entrada da manhã.
O universo é belo e intenso.
E, sobre nós, brilha uma luz, que não está sozinha. 
São milhões de afetos, 
pequeninos, honestos, 
capazes de superar, todos os dias, a fria imensidão das coisas
que ainda não compreendemos.
Tudo isso porque o amor existe.
Apesar de tudo,
e sobretudo
a ilusão
vive,
para nos salvar.

Pedro Antônio de Oliveira

12.2.19

"Toca o barco"

Foto: Divulgação Band
Quando era mais novo, ouvia muito rádio. Sempre gostei muito das rádios de notícia e ficava alternando entre BandNews e CBN. Naturalmente, como tantos outros, acostumei-me com a voz de Boechat e com sua perspicácia e inteligência. Jamais imaginaria que, anos depois, conversaria com ele ao vivo em algumas ocasiões, como em Janaúba e agora em Brumadinho, poucos dias atrás.

Os últimos acontecimentos têm mostrado que a vida é mesmo fugaz. Vamos e deixamos as contas por pagar, as consultas agendadas sem desmarcar e o vizinho sem resposta sobre a possibilidade de empréstimo da churrasqueira. Que possamos demorar no beijo matinal, que possamos reparar diariamente no detalhe do outro, que o milagre dos encontros não programados possam ser perceptíveis à nossa rotina tão acelerada para que, quando formos, as únicas pendências sejam as tolices burocráticas cotidianas que confundem nosso senso de prioridade.

E que as pessoas possam trabalhar com amor e assim deixar um legado de inspiração bonito como você deixou, grande jornalista. Que mais essa dor em um ano tão difícil seja dividida em tantos corações quanto aqueles que te ouviam para seguirmos em frente.

Meus sentimentos aos familiares e amigos de Ricardo Boechat e do piloto Ronaldo Quatrucci, em especial aos estimados amigos do Grupo Band.

Pedro Aihara
(Tenente do Corpo de Bombeiros de Minas Gerais)

Tomei a liberdade de compartilhar o texto desse jovem e competente porta-voz do Corpo de Bombeiros. Sou um admirador desse grande profissional que, com firmeza e serenidade, vem conduzindo sua bonita missão aqui na Terra. Sem dúvida, é um ser de luz amenizando a dor de tantas famílias. O depoimento acima foi reproduzido de sua conta no Instagram. 


A respeito do jornalista Ricardo Boechat, só tenho a dizer que sua morte representa uma inestimável perda para todos nós que apreciávamos seu trabalho, sempre elegante, inteligente e crítico. A ele e ao piloto, nossas orações. Às famílias e aos amigos, nossas sinceras manifestações de carinho.

Boechat, obrigado por ter cumprido tão bem seu propósito de vida neste planeta. Obrigado por ter denunciado e lutado por dias melhores para todos os brasileiros, dentro de seu campo de atuação. Obrigado por não ter sido omisso e ter nos concedido informação de boa qualidade e um humor refrigerante em tempos de dor, desumanidades e injustiças.

Pedro Antônio de Oliveira

9.2.19

O renascer

Cão salvo da lama em Brumadinho, Minas Gerais, após o rompimento da barragem da Mina do Feijão
Foto: Reprodução portal Jardim Animal

Haverá um dia em que todas as nossas ações estarão alinhadas com a Lei do Amor. Por enquanto, ainda prevalece, para muitos, a Lei do Dinheiro. Talvez, seja por isso que caminhamos atordoados, sem paz.

É como se nossas buscas não nos levassem para um lugar seguro, de felicidade. Achamos que toda alegria, toda realização, todo sucesso só podem ser conquistados de forma material e por meio do dinheiro. Mas, em nossa jornada, aos poucos temos percebido que nem tudo "Vale" a pena em nome dele.

Estamos cansados, repensando nosso modo de viver e de ser. Pode ser o início de uma mudança radical em nossos valores e o começo de um tempo mais humano, em que o amor seja, sim, a mais valiosa moeda.

Pedro Antônio de Oliveira

Mudança


Em vez de ficar jogando lixo nas ruas, plante uma árvore.
Em vez de ficar pichando paredes, escreva um poema de amor e o envie secretamente, numa carta, a alguém que você ama.
Em vez de acelerar com seu carro pelas ruas, colocando em risco sua vida e a de outros, vá de bicicleta, sentindo o vento no rosto.
Em vez de gastar seu tempo com discussões e ataques banais na internet, vá ler um livro.
Em vez de ser preconceituoso e violento, corra até o espelho e olhe para si mesmo. Mas olhe bastante, olhe muito, a ponto de mergulhar dentro de você e conseguir explorar cada centímetro de sua personalidade. Faça uma autocrítica, recicle-se. Reinvente-se, renasça. Ilumine. O mundo anda cansado de tanta estupidez. O mundo quer luz. Talvez você tenha alguma centelha de amor para oferecer. Posso apostar que sim. :)

Pedro Antônio de Oliveira

30.12.18

A esperança é um ato de resistência. Resista

Foto: Tom Schneider/Efe

Você que de quando em vez chora à noitinha, na solidão da alcova. Você que se arrebenta no cumprimento das obrigações. Que perde um tempo danado desviando das dificuldades de todo dia.

Você que tem medo do arrependimento um minuto depois de tomar uma decisão. Você que esconde seu pavor de morrer só, de não ter onde cair morto, de lhe faltar um gato para puxar pelo rabo.

Você que ainda tem avós mas que pouco os vê. Que tem saudade da infância, que sente culpa por não telefonar mais seguido a seus pais. Você que já não tem pais e nem avós e quase só usa o telefone para pedir comida e responder que não, não quer assinar jornal nenhum.

Você que tem uma inveja inofensiva das pessoas que demonstram afeto. Você que queria ter mais irmãos, você que tem irmãos distantes, você que não tem irmão nenhum.

Você que ainda corta a carne no prato do filho ou da filha. Que tem criança pequena e conhece o medo doloroso de lhe faltar.

Você que se deu conta de que nunca será um astronauta, um campeão olímpico, um astro do rock. Que acha superficial e cínico quem defende que não se deve dar esmolas, quando a quem pede esmolas nada se faz para ajudá-lo a seguir outro caminho.

Você que olhou nos olhos de um mendigo e sentiu um calafrio em algum lugar insuspeitado da alma.

Você que sentiu culpa por estar ocupado demais para ouvir um amigo quando ele mais honestamente precisou falar.

Você que já passou horas deitado no sofá de barriga para baixo, cutucando com a unha a sujeira leve que pousa e se instala impertinente nas ranhuras do chão. Você que enxerga rostos nos desenhos dos ladrilhos. Que observou a poeira flutuando contra a luz do sol e lembrou de um amor antigo. Você que não sabe lidar com um amor novo.

Você que, no mais das vezes, das conversas do dia a dia não ouve nada senão relinchos, cacarejos e conversas para boi dormir entupidas de preconceito e burrice.

Você que já se perguntou onde repousam as borboletas, enquanto imaginava sua vida secreta, e esse foi seu único instante de paz no dia confuso. Você que descobriu espantado que as baratas, quando esmagadas pelo chinelo da gente, liberam ovos que se transformarão em novas baratas que sobreviverão à hecatombe nuclear.

Você que já pediu a Deus um tempo para viajar a um lugar distante e ver o sol nascer de outro canto, na tentativa honesta de lavar com sabão e esponja a sua alma cheia de borras e sentimentos esverdeados, envelhecidos. Depois estendê-la no varal de um dia inteiro e deixá-la ali secando ao sol.

Você que já teve a impressão de que, se não fizer alguma coisa, a vida periga se transformar em um eterno domingo à noite.

Você…

Seja bem-vindo. Bem-vinda. Dá cá um abraço. Viver dói e se dói é porque você vive. Resista, deixe estar.

E acredite: para cada angústia há uma desforra gloriosa, esperando sua vez de vir ao mundo.

André J. Gomes

Fonte: Revista Bula

29.12.18

Um abraço


Tenho sorte de ter olho para o encanto. De ver imagens nos estuques das paredes do muro. De ver o portal que dá lugar para minhas emoções esparramadas na grama verde e de poder viver o lambeijo dos meus cães quando deito no chão. De enxergar coração em tudo que é coisa. 

Tenho sorte porque lá fora, para além dos instantes de encanto, o mundo está de ponta-cabeça e não sei se você gostaria de vê-lo como se apresenta hoje. Talvez, aqui, no meu lugar seja um daqueles achadouros que você criava em seu mundo. 

O meu quintal é desabitado de realidade e levo ele na bolsa sempre que saio calçadas afora para viver o mundo real e lá, quando o baque vem em grau maior, eu retiro um pequeno bocado para sobreviver. 

O mundo está moderno demais e atravessado. Então, eu busco como escape essa inteireza de criança que meu pai ainda acha que sou e com isso tento dar verbo às coisas que me rodeiam e, bem ali, no cantinho do espaço imaginário, perto das lanternas chinesas, eu te abraço e agradeço pela inspiração que me ofereceu diante da palavra e, tentando entender a cor dos pássaros, faço o verbo esperançar renascer cada vez mais dentro de mim.

Mariana Gouveia

23.12.18

Noite feliz, noite de luz

Ilustração: Son Salvador

Os brilhos de dezembro se multiplicavam em cada vitrine. Luzes coloridas alegravam as ruas. Árvores de Natal disputavam entre si qual delas chamava mais a atenção. Àquela hora da noite, apesar da chuva que ameaçava cair, ainda era possível avistar pessoas caminhando apressadas com enormes embrulhos nas mãos.

Em incontáveis lares da cidade, pratos saborosos deviam estar sendo preparados, enquanto tudo, aos poucos, tentava se acalmar. A fúria das compras e o tromba-tromba nas esquinas iam dando lugar ao silêncio e a um desejo natalino de repouso e paz.

Foi então que um aguaceiro desabou sobre a metrópole. De repente, uma pesada cortina de chuva escondeu cada pisca-pisca, cada enfeite, envolvendo em seus braços molhados os prédios, os carros e as estrelas que pontilhavam o céu.

Debaixo do viaduto de uma imensa avenida, nenhuma luz colorida, nenhuma bola reluzente, nenhum pinheiro luzindo. Naquele lugar, não havia indício algum de Natal. Ao lado do amontoado de caixas de papelão, um enorme rio se formava por causa da enxurrada. Goteiras tilintavam dentro de algumas panelas vazias. Música de sino?

Diante da cidade encharcada e ocupada em festejos, um vibrante choro de criança vencia o barulho dos trovões e os clarões da tempestade. Mas essa mesma cidade, naquele instante, não sabia e nem podia ouvir nada.

No abrigo feito de papelão, nascia um menino, que talvez se chamasse Jesus da Silva, filho do José Romeiro da Silva e da Maria da Anunciação Silva, catadores de papel, caçadores de sonhos.

Nascia, sim, o Jesus da enorme cidade. Mais um Jesus sem presentes, sem árvores com luzes piscando ao seu redor, sem o perfume das deliciosas comidas. Era Natal e muitos na cidade nem sonhavam. A chuva ocultou o Jesus do viaduto e tantos outros mistérios daquela noite.

Mesmo sem um coral de anjos a entoar canções natalinas, mesmo sem uma estrela a guiar o futuro, para José, para Maria e para Jesus, era noite feliz.

Pedro Antônio de Oliveira

Conto originalmente publicado no jornal Diário da Tarde, em 23 de dezembro de 2000 

20.12.18

Sempre-viva

Foto: Eco Vida
sempre-triste
no seu jeito interiorano
tingida de fúcsia
e turquesa
diz que é tinta
diz que desde sempre era
tudo tudo tudo tinta
e o corpo diamantino
é palha seca

Angela-Lago

Foto: Folha Uol
Este poema lindo faz parte do livro "O caderno do jardineiro", Edições SM, da escritora e ilustradora Angela-Lago. Mineira de Belo Horizonte (minha terra querida), a autora nos deixou em 21 de outubro de 2017. Na ocasião, eu estava de férias em Fortaleza (CE), sol, calor, alegria... mas, de repente, fiquei triste, muito triste com a notícia. Sempre admirei a Angela por sua elegância ao esculpir as palavras e tocar nosso coração como a regente de uma orquestra de luzes. Nas estrelas, no infinito, nos confins do céu... de onde ela estiver, que continue nos inspirando com sua arte e sensibilidade.
Angela, de fato um ser humano especial.

Um beijo, Angel!

Pedro Antônio de Oliveira

SABOREIE ALGUMAS ENTREVISTAS DE ANGELA-LAGO


12.12.18

O que importa


E eu paro e fico rindo, se é você.
Que mágica é essa que espanta toda a dor de viver?

Pedro Antônio de Oliveira

Para sempre


Não te deixes destruir… Ajuntando novas pedras e construindo novos poemas. Recria tua vida, sempre, sempre. Remove pedras e planta roseiras e faz doces. Recomeça. Faz de tua vida mesquinha um poema. E viverás no coração dos jovens e na memória das gerações que hão de vir. 
Esta fonte é para uso de todos os sedentos. Toma a tua parte. 
Vem a estas páginas e não entraves seu uso aos que têm sede. 

Cora Coralina

3.11.18

Projeto Tamar e a proteção das tartarugas marinhas

Foto: Instagram Luan Loureiro
O projeto Tamar foi criado na década de 1970 pelas mãos de um grupo de estudantes de oceanografia que viajavam para praias desertas a fim de realizar pesquisas. Na ocasião, os pesquisadores descobriram que muitos pescadores matavam as tartarugas marinhas. Daí, o Tamar surgiu para proteger esses preciosos animais que corriam risco de extinção.

As ações estão presentes nos litorais das regiões Nordeste, Sul e Sudeste do Brasil. Somente no estado de Sergipe, são quatro bases: em Ponta dos Mangues, Pirambu, Aracaju e Abaís.

Divulgação portal projeto Tamar

Em Aracaju, o Oceanário abriga cerca de 70 espécies aquáticas nativas de Sergipe expostas em 18 aquários (cinco de água doce e 13 de água salgada), inclusive as tartarugas. Estive lá no mês de outubro e tive o prazer de conhecer os trabalhos realizados pelo projeto Tamar. Em 2018, os especialistas comemoraram a marca de 35 milhões de filhotes livres rumo ao oceano a partir dos cuidados das equipes daquele estado. Pirambu (SE) foi a primeira base do Tamar instalada no Brasil, em 1982.

Segundo o estudante de medicina veterinária Luan Loureiro, em cada mil filhotes de tartaruga, estima-se que apenas um, no máximo dois, atinja a idade adulta. "Por isso é tão importante respeitar os locais de desova desses bichos na praia, evitando pisar nas regiões demarcadas na areia, além de jamais sacrificar um animal", destaca o integrante do projeto em Sergipe. "Nosso esforço diário é recompensado toda vez que assistimos ao espetáculo do nascimento de uma tartaruguinha e sua caminhada em direção ao mar", comemora.

Luan lembra que todo mundo pode ajudar o Tamar, seja divulgando as iniciativas, adquirindo algum produto da marca (já que a renda das vendas auxilia na sustentação do projeto), seja respeitando os santuários das tartarugas, procurando viver em harmonia com o meio ambiente. "Nós, que acreditamos no Tamar, nos inspiramos nos próprios filhotes de tartaruga que, a cada novo começo, parecem não desanimar diante do horizonte de incertezas e obstáculos que surgem à frente. A paixão é nosso leme", garante o jovem sergipano.

Diariamente Luan Loureiro se dedica aos animais do Oceanário de Aracaju                    Foto: Instagram Luan Loureiro
Nesta imagem, Luan verifica se uma tartaruga está engasgada. Ufa! Por sorte, era apenas um cochilo 
Foto: Pedro Antônio de Oliveira
Tartaruga em um dos tanques do projeto Tamar no Oceanário de Aracaju (SE)             Foto: Pedro Antônio de Oliveira
Foto: Pedro Antônio de Oliveira
O começo da longa jornada                                                                                                      Foto: Instagram projeto Tamar
Foto: Pedro Antônio de Oliveira
Foto: Instagram Luan Loureiro
Na imagem acima, de fevereiro de 2016, o registro do nascimento de aproximadamente 25 mil filhotes, em uma única noite, no litoral brasileiro. "Naquele dia, alcançamos a marca de 25 milhões de filhotes protegidos", orgulha-se Luan. "Nosso evento comemorativo foi realizado em quase dez estados onde as solturas foram cronometradas para ocorrerem todas ao mesmo tempo: precisamente às 17 horas."

"Vai na fé e nunca desista!" é a mensagem na foto publicada no Instagram "Orla de Aracaju", uma clara referência à batalha da tartaruguinha pela sobrevivência. Os predadores naturais e a ação negativa do homem sobre a natureza são os maiores desafios na vida das jovens guerreiras.

1.11.18

Caminando por la calle



Caminhando pela rua 
Eu te vi 
Que um dia eu me apaixonei 
De você.

Gipsy Kings

4.10.18

Evoluir


Não importa que doa:
é tempo de avançar de mão dada
com quem vai no mesmo rumo, 
mesmo que longe ainda esteja
de aprender a conjugar
o verbo amar.

Thiago de Mello

20.9.18

Lançamento: Convite à Escrita


Três fonoaudiólogas e uma missão: ajudar estudantes dos ensinos fundamental e médio a superar as dificuldades de leitura e escrita. Assim, Lilian kotujansky Forte, Marlene Lopes Scarpa e Regina Soga Kubota estão lançando a obra "Convite à Escrita - Material de Intervenção para Reabilitação Cognitiva na Construção da Escrita", editada pela Pulso Editorial.

Foram reunidas publicações de diversos escritores brasileiros como forma de embasar as atividades propostas. Tive o prazer de ser convidado a participar do livro com um de meus contos dedicados ao público infantojuvenil. Por isso, sou muito grato às autoras por colaborar com uma iniciativa tão bacana como esta!

Entre outros objetivos, a obra procura oferecer diretrizes para os profissionais de Saúde e Educação e demais interessados no tema, ao compartilhar ideias e estabelecer estratégias para o desenvolvimento e aprimoramento da linguagem. 

Que o livro faça muito sucesso e possa promover transformações positivas na vida de muitas crianças e jovens! 

Anote aí a data do lançamento! Dia 3 de outubro, às 19h, na Livraria da Vila, em São Paulo: Rua Fradique Coutinho, 915 - Pinheiros.


Pedro Antônio de Oliveira