20.3.24

Na medida mais precisa que eu puder


Vou encher este teu rosto de lembranças.
Dá-me tempo de acertar nossas distâncias.

Fernando Pessoa

Grilhões passageiros


Pensei o quanto desconfortável é ser trancado do lado de fora; 
e pensei o quanto é pior, talvez, ser trancado no lado de dentro.

Virginia Woolf

5.3.24

Baby, clarear!

 

Quando não houver
Mais amor
Nem mais nada a fazer
Nunca é tarde
Pra lembrar
Que o sol está solto em você.

Luiz Octavio Bonfá Burnier e Mariozinho Rocha

2.3.24

Professora recebe aplausos de amor


Simplesmente emocionante! Após quase 30 anos lecionando, a professora Ana Reis foi surpreendida com uma homenagem linda na escola onde trabalhou em Colatina, no Espírito Santo.
 
Alunos e funcionários se despediram da educadora em um corredor de aplausos como forma de agradecimento por tudo o que ela representa na vida deles. 

13.2.24

Estrada tão bonita...


Porque sou aventureiro
desde o meu primeiro passo pro infinito.

Lindo balão azul | Guilherme Arantes

Em algum lugar dentro de nós


Só somos felizes, verdadeiramente felizes, quando é para sempre, 
mas só as crianças habitam esse tempo no qual todas as coisas 
duram para sempre.

José Eduardo Agualusa

31.1.24

O menino cego que ama o mar

                                                                                                                       Foto: Tiago Ghizoni

Ir à praia é um dos passeios preferidos de Theo, uma criança catarinense que, sem enxergar em decorrência de uma doença congênita, usa outros sentidos para curtir o dia à beira-mar.

Theo enxerga o mundo com as mãos. “Gosto de brincar com meu baldinho e pazinhas. Sinto a areia fininha no meio dos meus dedos”, diz o garoto. Sobre o gosto de mar e maresia, Theo responde: “É salgado. Sabe como descobri? Eu estava na onda e sem querer tomei um pouco d’água. Tem cheiro de mar, cheiro de coisa salgada”, completa.


Portal Metrópoles

... como quem ouve uma sinfonia



Tudo o que cala
fala mais alto ao coração.

Lulu Santos e Nelson Motta

16.1.24

Como se fosse fácil

Soninha prometeu não falar mal de ninguém neste ano. Ela quer focar em si, no que deseja realizar, no que sonha em melhorar nela mesma.

Também já marcou salão, academia e Gestalt. Quer se renovar por inteiro. Trancou a boca para as massas e anda espalhando pra todo mundo que agora é vegana (desde ontem de manhã).

Além disso, ela jurou de pés juntos e pulando de uma perna só que vai concluir o inglês e chupar picolé de neve nos States... lá pra dezembro.

Ah... Soninha quer ser mais solidária com quem precisa; sua meta! Seja gente, seja bicho... não importa. Anda procurando no Google uma ONG conceituada para visitar e fazer doações (de tempo, seu valioso tempo, que, para ela, vale mais que dindim). Pode ser um abrigo que proteja de pintinho a javali. Ela ama incondicionalmente os animais. 

Ihh... Soninha iniciou janeiro mais cósmica do que nunca. Fez uma lista de pessoas que ela gostaria de lacrar num contêiner e despachar num avião cargueiro em direção ao Deserto Antártico. Tudo porque, segundo ela, são seres de baixíssima vibração energética que podem bloquear seu futuro lindo, causando um curto-circuito destruidor e irreparável em seus planos mais simples. 

Nem discuto porque essa querida sempre foi diferentona, mas de bom coração. Ficarei de olho. Caso a vida dela realmente decole numa explosão mágica de serenidade e sucesso, darei um jeito de copiar sua receitinha de felicidade.

Pedro Antônio de Oliveira

31.12.23

Feliz 2024 com os pés no chão

Precisamos lutar pela vida das crianças

É impossível não dizer que a virada do ano tem muito a ver com as crianças e os adolescentes, pois será deles este mundo que os adultos de hoje insistem em destruir


Qual a relação entre a virada do ano, as crianças, o céu ou o inferno? Nada e tudo. Sim, parece contraditório, mas não é.

A cada ano que se passa, renovamos nossas já combalidas esperanças de que tudo vai ser diferente ou melhor. Fazemos todas aquelas coisas como comer lentilha, 7 grãos de uva e pular ondas na praia. Isso para os que podem comer e para aqueles que vivem na praia ou passam o final de ano lá. Fazemos isso na busca de algo que nos ajude, ainda que sejam crendices, a reforçar nossa fé avariada nas instituições, nos homens e na continuidade do nosso planeta.

Trata-se, portanto, de indagar se teremos um futuro e quem estará nele, vivendo e tomando-o em suas mãos. Neste caso, é impossível não dizer que a virada do ano tem muito a ver com as crianças e os adolescentes, pois será deles este mundo que os adultos de hoje insistem em destruir. Mas, se não pensarmos seriamente sobre isso e ignorarmos o momento atual, é evidente que a virada nada representará nem para as crianças e adolescentes nem para nós mesmos, muito menos para o futuro da humanidade.

Precisamos começar a agir. Façamos isso agora, na virada do ano. Temos que nos engajar, unindo forças com milhares ou milhões de outros seres humanos, pois não estamos sozinhos. São milhões de pessoas que, como nós, pretendem tornar o mundo um lugar habitável para nossas crianças. Elas são o futuro, mas são também o presente – e, por isso, não podemos mais negligenciar essas vidas.

Para tanto, temos de nos unir e exigir o fim das guerras, consumidoras de recursos e esforços que, se fossem aplicados corretamente, poderiam acabar com a fome e a morte de milhões de seres humanos por doenças de toda ordem. Dezesseis mil crianças morrem de fome a cada dia no mundo. E, no cenário brasileiro, 44% das mortes de crianças por doenças poderiam ser evitadas facilmente.

Precisamos pressionar o Estado a cumprir seu papel, na busca de soluções para o aquecimento global, a fome, as doenças, além de fatores como desemprego, baixos salários, educação de qualidade, saneamento, entre outras medidas factíveis e urgentes para legarmos aos nossos pequenos um mundo habitável. Mais do que crendices que nos conduzem a falsas esperanças, precisamos de ação, proatividade e poiesis.

É isso ou inferno, apesar de muito preferirem o céu, a lentilha, as uvas e a praia, é claro.

Mauricio Ribas

Advogado, professor de Direito Civil e membro da Anistia Internacional. É autor de “Ingel Addae – A luta entre o bem e o mal”, livro para acolher crianças vítimas de violência e conscientizar sobre os direitos da infância

(artigo de opinião publicado no Jornal Estado de Minas de 30/12/2023)

26.12.23

A terra dos homens invisíveis

A dor caminha pelas ruas, prepara seus alimentos sob o viaduto, dorme em barracas, passeia entre os automóveis. Mas não somos mais capazes de vê-la. Naturalizamos o sofrimento. Simplesmente não temos tempo. Nossas vidas apressadas e nossos compromissos inadiáveis nos impedem de nos preocupar com tudo isso. Sempre temos muito mais o que fazer. O problema é com o outro e do outro. Não nosso. Não mesmo!

Algumas vezes já ouvimos dizer que somos todos irmãos. Verdade? E aquele ser humano desmaiado ou adormecido na calçada? Afinal é um extraterrestre, uma holografia ou uma ilusão da mente? Não é de carne e osso e sentimento? Por que será que cruzamos com ele e nem ligamos? Talvez tenha se tornado apenas mais um elemento da paisagem urbana.

Ruas e avenidas de incontáveis cidades do país hoje são depósitos de seres humanos esquecidos. Estão lá sujando tudo e oferecendo perigo à população, é assim que muita gente avalia. Não acha, no mínimo, absurdo que não demos a menor importância a isso?

Segundo dados do Cadastro Único, em dezembro de 2022, 236.400 pessoas encontravam-se em situação de rua no Brasil, o que significa que um em cada mil vive no país sem moradia digna, vagando por aí como indigente. Um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) já aponta que esse número pode ser bem maior, beirando a casa dos 300 mil brasileiros sem teto. 

Quando nos pedem alguma ajuda, fechamos o vidro do carro, mudamos o caminho para passar longe deles, desviamos o olhar, aceleramos o passo. Em nossa cabeça, grana nas mãos deles é para comprar algo que não presta, inútil. Já criamos todas as desculpas e resistências inimagináveis para reforçar ainda mais a exclusão e a indiferença. O caso é, sem dúvida, bastante sério. 

Por mais otimista que seja, não observo uma solução fácil ou imediata no horizonte. Gostaria que, pelo menos, não tratássemos a situação com tamanho descaso, que pudéssemos nos sentir incomodados diante dessa realidade. 

Precisamos investir dinheiro e energia para salvar vidas. Não é possível que continuemos seguindo com nossas rotinas alienantes nos comportando como ilhas nesse enorme oceano de desumanidade. 

O que cada um de nós pode fazer?

Pedro Antônio de Oliveira


20.12.23

Um brilho a nos abençoar


O menino quer tanto se encantar de novo com as luzes de Natal.

Os dias andam tão diferentes. O tempo corre mais depressa e agitado. Em algum lugar, moram os sonhos que faziam seu coração pulsar. Uma saudade se sente por toda a fria cidade.

Ele já ganhou quase todos os presentes que queria na vida e sabe que hoje falta alguém ao redor da imensa árvore brilhante. 

Mas esse menino acredita que o grande mistério que envolve tudo cuidará do amanhã. 

Porque é Natal e milagres sempre podem acontecer.

Pedro Antônio de Oliveira

2.12.23

O que vale a pena


Passar mais tempo com as pessoas que realmente valorizam a gente é dar importância ao importante.

Pedro Antônio de Oliveira

1.11.23

Caminhante


A cada dia que passa, menos coisas importam.
Outras me aprisionam num lugar lindo,
de onde não quero mais sair.

Pedro Antônio de Oliveira

28.10.23

Guerra e paz

        Imagem: Uğur Gallen

E este é um tempo misterioso
De combates, surpresas e enigmas.

Pedro Antônio de Oliveira

Ilusões solares

 

Há lugares que servem de esconderijo para os sonhos.

É pra lá que eu sempre vou
É onde me sinto mais seguro.

Venha, luz!
Amorena pra sempre minha alma.

Agora sei eternamente que não adianta fugir 
Das ondas, dos ventos... 
De tudo o que nos transforma.

Pedro Antônio de Oliveira

12.10.23

Casas


Casas, terras e quintais
Homens, pedras, sangue, lágrimas
Pai e mãe, irmã, irmão
Meu pai, meu rei
Rei hei de ser!

Apesar de não ser como você quer
Vida vai, vida vem, vida sempre é
Se o sol não raiou
Vem a noite e a lua branca, branca
Então canta, se a paz vier ou não vier

Levanta, vem ouvir
Quem canta agora só quer o seu bem
Abra a janela
Vem ver o dia que é só seu
Levanta, vem ouvir

Quem canta agora só quer o seu bem
Abra a janela
Vem ver o dia que é só seu
Moça, a vida lhe bateu?
Anjo frágil de amor quase se foi

Pra salvá-la eu trouxe então
Beijos, velas, flores, atenção
Apesar de não ser como você quer
Vida vai, vida vem, vida sempre é

Se o sol não raiou
Vem a noite e a lua branca, branca
Então canta, se a paz vier ou não vier

Levanta, vem ouvir
Quem canta agora só quer o seu bem
Abra a janela
Vem ver o dia que é só seu

Levanta, vem ouvir
Quem canta agora só quer o seu bem
Abra a janela
Vem ver o dia que é só seu

Daniel Carlomagno

11.9.23

Liberdade e infinito

 

Em criança tirei um pássaro de dentro de uma pequena gaiola. O pássaro não voou. Ficou ali andando aos círculos, aos círculos, aterrorizado com a largueza do mundo e a responsabilidade enorme de ter de sobreviver por si. Quando me libertaram, eu senti-me assim. Vagueava pelas ruas sem rumo certo.

José Eduardo Agualusa

27.8.23

Diferente


Não há nada como regressar a um lugar que está igual 
para descobrir o quanto a gente mudou.

Nelson Mandela

Singeleza


A simplicidade é o último grau de sofisticação.

Leonardo da Vinci